quarta-feira, junho 21, 2017

Quem é a protecção civil?!

Passado o luto nacional começam a surgir as perguntas inevitáveis. A primeira das quais, e que tarda em ser formulada, é a seguinte:- Quem é o rosto da protecção civil naquela região, naquele distrito, naqueles concelhos, onde o fogo lavrou e lavra sem dó nem piedade?! Quem foi a voz de comando no terreno, o personagem principal, aquele que nos países normais costuma assumir e coordenar todas as operações?! Sinceramente e apesar das inúmeras transmissões televisivas ainda não consegui fixar-lhe a cara ou o nome!

De facto vimos lá o comandante nacional dos Bombeiros, vimos um secretário de estado a tentar desempenhar um papel que não era o dele, vimos depois o primeiro-ministro, a seguir o presidente da república, e a partir de agora vamos ver as mesas redondas com os vários especialistas a falarem sobre o que aconteceu e não devia ter acontecido. Um filme gasto.


Na resenha dos políticos omiti os presidentes das Câmaras envolvidas no incêndio de Pedrogão mas na verdade devem ser eles, por inerência do cargo, os responsáveis pela protecção civil nos respectivos concelhos. Devem ser, mas não tenho a certeza. E se forem já se percebeu que há qualquer coisa de errado nesta organização, muito mais teórica do que prática. É evidente que nesta incerteza de tarefas e protagonistas o natural é que os políticos apareçam e tomem conta do discurso. Mas sem resultados práticos em termos de incêndio. Em minha opinião só atrapalham. 

sexta-feira, junho 16, 2017

Desígnios nacionais!

Está muito calor, Portugal saiu do procedimento de défice excessivo e todos nos rendemos às políticas deste governo que, sem fazer quaisquer reformas, antes acentuando o peso do estado na economia, conseguiu aquilo que nenhum governo de Abril havia conseguido, reduzir o défice. Fica provado que afinal não há vida para além do défice novíssimo descobrimento do socialista Costa que assim contraria a tese de outro eminente socialista, Sampaio de seu nome. Isto merece comemoração e medalhas e para isso temos cá o nosso afectivo presidente.

Outro desígnio nacional é o futebol, esteja ele ou não eivado de batota. Nessa conformidade Marcelo despediu-se da nossa selecção que está de partida para a Rússia, aproveitando ainda para condecorar o presidente do dito futebol! Podia tê-lo feito numa altura mais propícia, esperar que tudo se esclarecesse, mas não, a pressa é muita e as medalhas não podem esperar.

Conjugado com o anterior temos ainda outro desígnio nacional que é a reputação de Cristiano Ronaldo, faça ele o que fizer. Em nome dos golos marcados a Ronaldo tudo é permitido e perdoado – noivas a fingir, filhos sem mãe, indícios de fuga fiscal, etc. etc. etc. Quanto a medalhas já não há peito que aguente.


Deixei para o fim o último grande desígnio nacional, quase uma ideologia, herança da segunda república – o nacional benfiquismo. Para esta ideologia (ou será religião!) o Benfica é o bem, e quem contraria o Benfica é o mal. Como se comprova neste caso dos e.mail! Afinal o que aconteceu?! Piratas do ar, submarinos sem vergonha atacaram os documentos onde pode existir matéria para desconfiar que algo de errado se passa na arbitragem deste país. Prendam pois os piratas e deixem-nos continuar a 'trabalhar'.



Saudações monárquicas

terça-feira, junho 13, 2017

O Napoleão lá de casa!

O bonapartismo é uma doença da república, no caso da república francesa. Como sistema político descende directamente do cesarismo romano, e reaparece sempre que a representação política é precária ou insuficiente. Pode dizer-se que é a última fase de qualquer regime republicano. Uma fase em que os partidos tradicionais se afundam e com eles a democracia que representam. Para ser mais específico estamos a falar de uma democracia clientelar muito parecida com a portuguesa.
Em termos operacionais o cesarismo traduz-se, como o nome de césar indica, numa política intervencionista, de cariz militar, comandada pela necessidade de unir por fora aquilo que está desunido por dentro. Bonaparte não precisa de parlamento para discutir seja o que for, governa por decreto a partir do Eliseu, apoiado numa espécie de união nacional que vai referendando tudo o que Napoleão propõe. Esta aventura não costuma durar muito e acaba quando acabam as vitórias militares. Waterloo é a imagem que me ocorre.
Mas os tempos são outros e as circunstâncias também e por isso vejamos quem é e donde surgiu este novíssimo candidato a Bonaparte!

Em Fevereiro de 2015 podia ler-se que Hollande e o seu primeiro ministro Manuel Valls para não correrem o risco de ver chumbada determinada legislação no parlamento francês optaram pela via do decreto presidencial, uma excepção antidemocrática que a democrática constituição francesa permite, mas que raramente tem sido utilizada pelos presidentes franceses. Mas desta vez foi, o que provocou ondas de choque no sistema partidário nomeadamente no partido socialista que então governava. A dita lei chamava-se – Lei Macron – e tinha sido fabricada pelo ministro da economia de Hollande, um tal Emanuel Macron! Legislação restritiva, que tocava em direitos adquiridos, se calhar necessária, mas não a vamos discutir neste momento. O que nos interessa é o retrato, vá lá, o esboço deste napoleãozinho. O que sabemos hoje é que com alguma surpresa é o actual presidente da França e neste fim de semana ganhou as legislativas com grande facilidade e grande abstenção. E também sabemos que criticou Putin por causa dos homossexuais e que apertou a mão de Trump com tal energia que os Estados Unidos deram um grito de dor! Ora bem, esta energia é perigosa imaginando que o homem se vê a marchar à frente dos canhões e a disparar para tudo o que mexe! Perigosa para a Europa, para a senhora Merkel e para o mundo. Mas há quem aprecie, e eu também aprecio, os grandes génios militares. Os grandes cabos de guerra! Só que Macron não é militar e segundo consta o general lá em casa não é ele.


Saudações monárquicas

segunda-feira, junho 12, 2017

O dia do rafeiro

Em Portugal até os rafeiros têm raça! Ou se não têm arranjam uma, um pedigree qualquer, afinal somos todos filhos de Adão e Eva. Há repartições que registam o facto, paga-se qualquer coisa, e vem-se de lá com uma linhagem de se lhe tirar o chapéu.
E como há dias para tudo resolvemos hoje celebrar o rafeiro, o rafeiro em estado puro, espécie muito frequente nas nossas cidades e onde se reproduz fácilmente. Já não é assim no interior do país, menos acolhedor, desértico, com menos oportunidades para abanar a cauda, gesto de sociabilidade e louvor sem a qual não sobrevivem.
Mas a qualidade mais apreciada é indiscutivelmente a fidelidade! A fidelidade a quem lhe dá a comidinha todos os dias! Também é bom guarda, ladra por tudo e por nada, não vá o prato fugir-lhe! Às vezes acontece mudar de dono e aí as suas qualidades de adaptação vêm mais uma vez ao de cima. Até que surge a frase inevitável – foi com rafeiros deste quilate que chegámos onde chegámos! Esta conclusão sempre me pareceu exagerada pois vejo-os sempre a dormitar e com pouca vontade para aventuras. Mas pronto, é o dia deles, vivam os rafeiros!


Saudações monárquicas


Nota básica: Para escrever este texto inspirei-me no rafeiro que tenho lá em casa, sempre disponível para comer e dormir. Neste sentido qualquer semelhança com outros rafeiros é pura coincidência.

sábado, junho 10, 2017

Eleições inglesas!

Não há como os portugueses para tomarem as dores alheias! As suas, ou não as sentem ou disfarçam, mas as dos outros, meu Deus! Depois de chorarem copiosamente o Brexit, como se Portugal tivesse abandonado a união, e a pouca sorte dos ingleses que assim se viam sozinhos no meio do oceano, voltaram ao divã do psiquiatra para criticarem o mau feitio de Teresa Maio, uma mulher perdida face aos resultados eleitorais que obteve! O psiquiatra aventou que tanta preocupação podia ser um reflexo condicionado, algum temor escondido e fez a prescrição habitual - pastilhas para o enjoo e muito exercício, muita natação porque o euro é uma aventura e a união europeia um Titanic que pode naufragar a qualquer momento.
E sobre a Inglaterra para não nos preocuparmos, que ela saiu por razões políticas e não económicas e quem assim abandona uma união está preparado para sofrer as consequências. E não volta atrás. E não volta porque a política da união não vai mudar. O soft ou o hard, isso ainda é conversa económica. São trocos.


Saudações monárquicas

terça-feira, junho 06, 2017

Assim vai o país…

Um viajante do espaço que caísse em Portugal por engano e por engano olhasse os cabeçalhos dos jornais, desportivos ou não, regressaria á sua galáxia com uma ideia inédita sobre a história de Portugal!

Assim: - os portugueses são benfiquistas desde pequeninos, transformam-se depois em castelhanos de segunda, Aljubarrota nunca existiu, o Condestável passou à história, e para cúmulo a águia napoleónica não foi esmagada pelo leão da Boavista. Mas sim o contrário!

Com efeito há Ronaldo e Real Madrid por todo o lado e quanto à águia, um pouco americanizada é certo, ela tende a ser confundida com a nação! Salazar neste aspecto ficou aquém de Sócrates. Porque não temos dúvidas que foi o filósofo primeiro-ministro o grande engenheiro de tamanha revolução! Sem meios próprios, vivendo de amigos o que ainda engrandece mais a sua obra!

O seu adjunto naquele inesquecível governo é quem dirige agora a nau lusitana! Ela navega sobre a dívida, entre os destroços de bancos falidos, não vai a caminho da India como seria de supor pela origem do comandante, mas sim de Bruxelas, em rios de pouco calado, de calças arregaçadas e água pelos joelhos. Mas que interessa isso se a tripulação anda extasiada e quando alguma nuvem se atravessa temos a bordo um psicólogo que põe toda a gente a sorrir!


Saudações monárquicas

sexta-feira, junho 02, 2017

Um emprego na Europa!

O sonho de qualquer político português é arranjar um emprego na Europa. Não podendo ser no Real Madrid o que vem logo a seguir é Bruxelas ou outro tacho qualquer que dependa do BCE. A razão explica-se em termos monetários e também se explica em termos ideológicos se nos lembrarmos que a esquerda faz tudo o que for preciso para se manter na área do poder. Daí estarmos agora a assistir em Portugal a uma verdadeira corrida aos lugares europeus por parte de Costa e do seu adjunto Centeno! O que não deixa de ser uma ironia face às críticas ferozes que se fizeram ao anterior governo acusado de seguidismo em relação à Europa e à Alemanha em particular! Se aquilo era seguidismo então isto não sei o que será!

Mas seja o que for o que vai acontecer à barcaça europeia, se vai mais depressa ao fundo com a chegada destes refugiados portugueses, o certo é que a memória aconselha cautelas e caldos de galinha! Com efeito, sem o travão inglês aos desvarios do continente, o que costuma acontecer é o povo alemão fartar-se do vizinho francês, que trabalha pouco para aquilo que ganha, e surgir a parelha de coices que vai acertar justamente nas outras repúblicas dependentes do BCE. E cujo nome todos sabemos de cór. Nessa altura a nossa velha aliada deve estar ao largo, de velas enfunadas, a deslizar em águas atlânticas. O que nos há-de restar então é puramente filipino.



Saudações monárquicas

terça-feira, maio 30, 2017

É fartar vilanagem!

Insaciáveis, os partidos mandam os seus deputados à província para recolherem, baseados na pura fama, os votos disponíveis nas próximas eleições autárquicas!

É esta a primeira conclusão a que chegamos quando nos informam que cinquenta deputados da assembleia da república se preparam para concorrer a tal evento!

A segunda conclusão é que vale tudo na guerra partidária! Desde câmaras municipais, juntas de freguesia, assembleias municipais, onde houver um tacho a conquistar, há um deputado para o rapar!

A terceira conclusão também me parece óbvia e pode até ajudar-nos a resolver um problema constitucional! Estes cinquenta deputados, ao disponibilizarem-se para ocupar um cargo numa autarquia é porque têm pouco trabalho para fazer na AR. São portanto dispensáveis, reduzindo-se assim e por esta bitola o número de deputados a eleger no futuro. Passávamos de duzentos e trinta para cento e oitenta, o que sendo muito, sempre seria melhor.

E temos uma quarta conclusão que é no fim de contas um corolário da anterior! Se o mesmo deputado tanto pode servir para resolver o saneamento básico de um concelho como para resolver o saneamento básico da nação, isso significa que podemos eliminar uma das eleições! E assim por portas travessas chegávamos à desejável eleição por círculos eleitorais, que seriam as autarquias, e toda a gente passava a conhecer os deputados que elege!

Infelizmente há uma última conclusão a retirar e que contraria todas as outras. Nem os partidos, nem os deputados, governo ou presidente, estão preocupados com este problema. Para eles nem sequer há problema pois quanto mais poder tiverem, melhor. E vem-me à memória o desabafo do herói de Alfarrobeira!



Saudações monárquicas 

segunda-feira, maio 29, 2017

Segurança contra o terrorismo!

Leio que o Japão está mais avançado do que nós ocidentais no que respeita a medidas de segurança contra emigrantes, nomeadamente muçulmanos. Precisam de autorização de residência e não sei que mais e assim têm conseguido combater eficazmente o terrorismo de origem islâmica!

Ora bem não duvido que o Japão esteja mais avançado que o actual ocidente em imensos aspectos mas não nas questões especificamente securitárias. Especialmente se pensarmos nos arsenais e outros meios que Estados Unidos e Europa gastam com a prevenção do terrorismo. Sem falar nas frentes de batalha. O problema na minha óptica é de outra ordem e deve colocar-se noutro plano.

No Japão não há cisões nem perdas de identidade como acontece hoje na Europa e em todo o Ocidente. Os japoneses gostam da sua cultura, do seu modo de vida, e ninguém no Japão questiona o imperador, símbolo dessa mesma cultura. No ocidente acontece o contrário, tudo é motivo de divisão e confronto. Pior, o cristianismo, outrora cimento da unidade, é hoje o alvo preferencial de jacobinos e laicistas. Neste terreno o Islão não precisa de vistos de entrada ou permanência. Entra e conquista.



Saudações monárquicas

sexta-feira, maio 26, 2017

O Ronaldo do Ecofin!

Voltemos pois aos consumos que a ressaca já aperta e esgotado o Mourinho de ontem temos agora o Centeno em doses de cavalo! Promovido a Ronaldo pelo ministro das finanças alemão, Centeno garante que não foi ele mas o povo português quem descobriu um novo caminho marítimo para a dívida. Ele, Centeno, só ía ao leme! E não disse mas percebeu-se que está disponível para ensinar a Europa a navegar! Quem está a adorar estas viagens psicotrópicas são os comandantes Marcelo e Costa que se calhar já antevêem, duas cadeiras no Olimpo, a estrear.

Noutro contexto mas sobre o mesmo assunto escrevi um comentário no Observador que dizia mais ou menos o seguinte: - Os cucos põem os ovos nos ninhos dos outros pássaros para que estes os choquem destruindo entretanto os ovos que lá estão. Em resultado disto nascem cucos. Este governo faz ao contrário, choca os ovos dos outros e quando nascem os passarinhos diz que são dele! A única dúvida que tenho é que não sei bem que nome é que se dá a estes passarões! Se alguém puder ajudar…



Saudações monárquicas 

quinta-feira, maio 25, 2017

Dom Sebastião sabia!

Quatrocentos anos é uma fagulha na era do universo e é muito pouco na história da humanidade. Por isso recuar a Alcácer Quibir é mais fácil do que parece para explicar a enorme gravidade da derrota e das razões, tantas vezes desvalorizadas, que levaram o rei português a combater os infiéis nas areias do Magrebe. O certo é que desde aí o flanco sul da Europa ficou definitivamente escancarado às investidas do Islão.

Hoje não restam dúvidas que aquilo a que chamamos terrorismo não é mais do que um episódio de uma longa luta entre duas maneiras diferentes de ver o mundo, ou porque não admiti-lo, entre duas religiões. Uma mais apelativa e que cresceu em progressão geométrica desde o ano 620! A outra mais verdadeira e por essa razão mais exigente e que vai regredindo em número de fiéis.

Pelo meio surgiu uma religião burguesa que tem muito a ver com o mercado e pouco a ver com os valores. E pior, encontra-se na última fase da degenerescência, que é aquela em que a gordura sobe do estômago e vai alojar-se no cérebro. É uma fase em que só contam os direitos e o prazer e corresponde normalmente ao colapso de qualquer civilização.

Uma última nota para verberar aqueles, e são tantos, que continuam sem perceber a grandeza do rei que morreu a lutar por uma Europa cristã que hoje não temos.



Saudações monárquicas


segunda-feira, maio 22, 2017

Bendita dívida, maldita cocaína!

A história é anedótica mas exemplificativa: - numa comunidade que se dedicava ao tratamento de toxicodependentes, o terapeuta de turno, novato naquelas andanças, quando no dia seguinte fazia o relatório dos acontecimentos da véspera, comunicou alegremente: - correu tudo bem, está tudo bem! O director da comunidade terapêutica ao ouvir aquilo, deu um salto na cadeira e retorquiu - pois se está tudo bem isso quer dizer que está tudo mal! Levantou-se e foi indagar o que se passava. E de facto estava tudo mal.

Vivemos hoje um pouco à imagem daquela comunidade terapêutica com uma pequena diferença – não conseguimos distinguir os pacientes dos terapeutas! São todos muito parecidos. É assim que qualquer notícia mais agradável, umas décimas no trimestre, vamos deixar de ser lixo, o tetra, tudo isso é imediatamente consumido como se fosse a melhor coisa do mundo! A única barreira, o único constrangimento à felicidade plena parece ser, como bem notava José António Saraiva no Sol, a enorme dívida que por ser enorme impede que possamos, para já, aumentá-la com o mesmo entusiasmo de antigamente. Mas isso é apenas uma pequena sombra no sol que ilumina este grande país de consumidores de felicidade a qualquer preço! Vistas bem as coisas não é bem a qualquer preço, é ao preço do voto e do poder.


Saudações monárquicas



* Bendita dívida – Jornal Sol de 20 de Maio 2017 

quinta-feira, maio 18, 2017

Fátima - visão de um poeta!

Levas e levas de peregrinos em direcção a Fátima. E estrebuchem no papel os livre-pensadores. Se não há sobrenatural, como eles afirmam, há pelo menos necessidade de transcendência. Elêusis, Delfos, Meca, Compostela, Lourdes e outros locais onde o céu e a terra se confundem são a mesma Cova da Iria renovada no tempo. O ar miraculoso que ali se respira, mesmo que fraudulento, vem ao encontro de apetências recônditas do nosso sub-consciente. O homem é um crédulo envergonhado quando tem de acreditar sozinho. Mas, se encontra companheiros de fé, desafia todas as críticas e absurdos. Apoiado no número, desinibido, faz de chavascais lugares santos, que visita sempre que pode, carregado das suas atribulações. E, em procissão, vai-as alijando pelo caminho, até que, despojado de todas as gangas mundanais, tem acesso disponível às nascentes sagradas que, parecendo manar do chão bendito que pisa, lhe brotam de dentro da própria alma.

Coimbra, 12 de Maio de 1975


Miguel Torga – Diário 

quarta-feira, maio 17, 2017

Credo!

Chegou a altura, descrente de mim, de acreditar em tudo aquilo em que nunca acreditei. Assim creio nos vários diários da república em circulação, escritos, falados, televistos, comentados, creio nos números do governo, como já tinha acreditado na conversão da república, creio no défice, no crescimento, na dívida, creio nos grandes clubes do estado, creio no Ronaldo, no Real Madrid, nos heróis nacionais cujo número não cessa de crescer, e creio acima de tudo em Marcelo, o presidente dos presidentes. Acredito que com Marcelo, Costa e companhia limitada, o futuro é nosso sem necessidade de fazer quaisquer reformas. Mantendo tudo na mesma. Por todos os séculos e séculos...


'Saudações republicanas'

domingo, maio 14, 2017

Terra de milagres!

Estamos no dia treze de Maio de 2017 e Portugal mudou. Eu também não. Mas para tratar deste assunto, como de todos os assuntos, há sempre duas perspectivas, dois caminhos à escolha. Quem do alto de um F16 tivesse contemplado o recinto de Fátima, diria que a república se rendeu à Virgem, que os republicanos se converteram em massa! E se focasse a objectiva no desvelo de Marcelo perante Sua Santidade, dando conselhos ao seu ouvido, quem sabe ensinando alguma catequese, concluiria que a separação entre a Igreja e o Estado foi definitivamente ultrapassada! Houve até um momento, depois daquela correria em direcção ao avião, em que muita gente pensou, e outra gente esperou, que Marcelo partisse também para o Vaticano! Mas não, Marcelo ficou em terra.

O segundo milagre deste dia de canonizações deve-se ao Papa Francisco e ao seu indiscutível magnetismo! O Santo Padre, enquanto cá esteve mobilizou todos os meios de comunicação social retardando ao máximo a mega operação Marquez que vem ameaçando o país! Com efeito, só depois da sua partida, cerca das quinze horas, é que se recomeçou a falar do Benfica. Isto para mim é um grande milagre!

Mas aconteceu um terceiro milagre, inesperado, e que envolveu a Europa inteira! Um rapaz cujo nome não engana, Salvador Sobral, converteu os europeus à sua música e poupou alguns portugueses ao massacre pombalino. Simples, talentoso e com graça, Salvador não quer ser herói nacional, quer apenas salvar a música. Um belo remate para o Éder das canções!


Saudações monárquicas

quarta-feira, maio 10, 2017

As fundações e o futebol!

Hoje fui ao Observador e mais uma vez tropecei na Fundação Benfica! Reclamei contra a propaganda clubística, reclamei contra a suposta independência do jornal, reclamei talvez sem razão contra uma série de coisas mas na verdade há aqui qualquer coisa que não bate certo. Eu sei que o Sporting também tem uma fundação e o FC Porto se não tem vai ter com certeza. Não duvido dos méritos de quem lá trabalha, nem dos objectivos, as criancinhas parecem felizes, admito tudo isso e admito naturalmente que cada um é livre de entregar uma parcela do seu imposto de IRS às instituições que bem entender. Está na lei!

O que não está na lei mas devia estar era a proibição expressa dos clubes de futebol profissional se intrometerem em áreas para as quais não estão vocacionados nem é essa a sua função. Os clubes citados, e porventura outros, já beneficiam do estatuto de utilidade pública pela formação e prática desportivas a que se dedicam e não vamos agora atribuir-lhes outros estatutos, outras funções e outros benefícios. Por este caminho qualquer dia temos a universidade Benfica e depois, quem sabe, o partido político! Vamos com calma.

Mas este é apenas o lado mais folclórico do problema porque há outros problemas e não são pequenos. Desde logo a concorrência desleal com as verdadeiras instituições de solidariedade social que se candidatam aos mesmo fundos que estas fundações ligadas aos grandes clubes de futebol. Como os fundos não dão para todos é fácil imaginar quem ganha os concursos. E sobre isto o governo populista que temos fica calado!

Mas o lado mais negro do problema tem mesmo a ver com as suspeições que lhes andam associadas. E mais uma vez não estou a suspeitar desta ou daquela fundação em particular. Estou a desconfiar do sistema como um todo, um sistema que espantou a tróica pelo número de fundações e pela opacidade das mesmas! Prometeram-se na altura reduções, fiscalizações, mas ficou tudo em águas de bacalhau. Isto quer dizer aquilo que todos sabemos, que é mais fácil fugir aos impostos ou branquear dinheiro se houver uma fundação por perto. Não preciso de provar nada, os indícios são esmagadores, a corrupção da república é um facto. Basta atentarmos na Operação Marquez.



Saudações monárquicas

terça-feira, maio 09, 2017

A Europa no seu labirinto!

Ficaram os ‘europeístas’ muito contentes com a eleição de Macron, garantia, dizem, que o projecto europeu vai continuar! Ora o problema é precisamente esse – o projecto continuar. Recordemos que este projecto sofreu o seu primeiro grande revés quando um europeísta francês, Giscard d’Estaing, quis impor uma constituição à Europa, uma espécie de código napoleónico mais actualizado. Código esse liminarmente rejeitado pelos países europeus que não queriam, nem querem, abdicar da sua soberania. Portugal estava entusiasmado com a dita constituição como tem estado entusiasmado com tudo o que lhe garanta o sustento sem necessitar de fazer reformas e sem perder mordomias. Aquilo a que em holandês foi traduzido para ‘mulheres e copos’!

Falhada a constituição avançou o plano B com o euro a funcionar como cimento de uma futura união política. E de novo vemos os franceses na linha da frente, à boleia da Alemanha, e vemos também o bom aluno português a querer entrar no clube dos ricos mas com smoking alugado! De então para cá a história do europeísmo e dos europeístas é conhecida, história para a qual se adivinha um final infeliz. Ou seja, o euro não vai conseguir fazer aquilo que a política não consegue. Dando razão a um velho doutrinador francês que gosto de citar – ‘politique d’abord’!

O que é que a Europa pode então esperar de Macron, presidente eleito, e tal como todos os presidentes franceses, laico, republicano e socialista?! Eu arrisco dizer face aos antecedentes históricos e àquilo que escrevi, que deve esperar problemas e conflitos. Vai confundir, como qualquer francês de raiz napoleónica, os interesses da França com os interesses da Europa, e à primeira dificuldade, e vão ser muitas, pede socorro à senhora Merkel.
Na oposição está uma senhora Le Pen que é soberanista mas não deixa de ser laica, republicana e socialista. Isto é muito socialista junto e não ajuda nada. Nem a França nem a Europa.


Saudações monárquicas


Nota: Muito socialista, muito laico e muito republicano junto!

sábado, maio 06, 2017

Só eu sei porque sou monárquico!

Aquele debate, como todos os debates do género, entre duas figurinhas, cada qual a fazer valer os seus argumentos, os seus gestos, a fotogenia imanente, cheios de conselheiros de imagem, como se fossem estrelas de televisão, com tempos marcados ao segundo, e a gente a ver, com dois jornalistas a fazerem as perguntas que não têm resposta, para além da propaganda, e no fim, como dois lutadores, duas misses simpatia, à espera de ganhar uns pontos na próxima sondagem! Um parágrafo longo para dizer quase tudo o que me vai na alma, e no espírito enfastiado que reclama: - é preciso ter pachorra e ser muito infantil para esperar alguma coisa deste sistema de escolha do futuro chefe de estado! E sorrindo para os meus botões digo baixinho: - ainda bem que sou monárquico!


Saudações

sexta-feira, maio 05, 2017

Costa prepara eleições…

Numa azáfama nunca vista de devoluções, restituições, justas ou injustas não interessa, promessas a uns e a outros, e com o congelamento de rendas no horizonte, Costa vai construindo laboriosamente o ‘partido do estado’ que o há-de eleger. E as eleições só podem estar próximas se o antigo número dois de Sócrates seguir o padrão do chefe. Não importa se a economia tem dinheiro para pagar, porque alguém há-de pagar. Os beneficiados pagam com votos, os contribuintes vão pagar com impostos, o país (sem) futuro, mais tarde ou mais cedo, vai pagar as favas. 

Sobre este assunto convém ler um artigo de João César da Neves, no Observador, onde de forma clara e sintética o autor explica a ‘doença lusitana’, com mais de duzentos anos, diz, indo assim ao encontro do meu último postal em matéria de datas! Duzentos anos é o tempo do liberalismo! Liberalismo importado que impôs ao rei e ao povo um texto constitucional que afrontava a tradição! Mais tarde, livrou-se do rei, seu último representante,  e impôs-se pelo golpe e pela demagogia. Demagogia que como bem ensina Aristóteles é a doença da democracia. A doença da representação! 

João César das Neves centra o seu artigo nas questões económicas, e nos Condes de Abranhos que nos têm saído na rifa, mas é na política que as coisas se resolvem. E a cumprir-se o vaticínio do autor, que Costa ainda é pior que Sócrates, os portugueses vão passar um mau bocado.


Saudações monárquicas 

quarta-feira, maio 03, 2017

A crise de representação do regime republicano!

Ninguém ousa pôr o dedo na ferida, isso equivaleria a negar dois séculos de história mal contada! Dois séculos de decadência. Mas é o regime republicano que está em causa e não a democracia representativa como sempre nos quiseram confundir. O desaparecimento dos partidos tradicionais em França, engolidos em sucessivas eleições, tem uma explicação bem simples e prosaica – não representam o sentimento nacional. Pior, estão contra esse sentimento, base e justificação de qualquer comunidade. E estão contra porque, como é próprio da sua índole, estão indexados aos interesses internacionais das várias maçonarias a que pertencem. E a ordem maçónica sobrepõe-se como sabemos à ordem interna. A crueza da realidade não permite mais subterfúgios nem mentiras. A comprovar o que afirmo aí está a Inglaterra onde nada disso aconteceu porque ao contrário da França os partidos tradicionais souberam sempre representar a vontade explícita dos eleitores. Mesmo que isso custasse, como custou, a carreira de alguns políticos.

Em Portugal, que segue mimeticamente a França e cujas elites são do mais refinado jacobinismo, ainda não se deu a implosão dos partidos tradicionais porque nós não temos partidos tradicionais. São todos postiços e enganadores, foram determinados pelo golpe militar de Abril de 74 e mais tarde caucionados por uma constituição que basicamente está contra a tradição. Nestas condições como poderiam existir partidos tradicionais?!

É assim que assistimos a um governo manhoso que, quando convém, faz oposição a si próprio, vidé caso de Fátima; é assim também com o partido social democrata que finge que é da direita, mas não é. E até temos, imagine-se, um partido filiado na quarta internacional comunista, mas que afinal é nacionalista! Embora condene o nacionalismo nos outros!

Uma coisa une todos estes mentirosos – são todos republicanos. Democratas é que já vimos que não são. Um país destes não é para levar a sério e esta situação caricata só se aguenta enquanto o BCE pagar as ‘mulheres e os copos’ do regime e da respectiva nomenclatura.



Saudações monárquicas

sexta-feira, abril 28, 2017

Os números!

Desde que a matemática (e a simples aritmética) passou a ser um problema irresolúvel para a cabeça das criancinhas portuguesas, e dos respectivos progenitores, os números ganharam sem querer uma importância extraordinária! E há números para tudo. Números bons e números maus e cada qual, governo e oposição, tem os seus. Do lado do governo os números são surpreendentes, afinal somos ricos e não demos por nada! Por sua vez a oposição contrapõe outros números, diz que não somos ricos, somos é pobres e mal-agradecidos! Na dança dos números o português médio, aquele que não vive dos números mas sabe que vai ter que pagar este número, muda rápidamente para o canal da bola. Aí também há números, números martelados, mas ao menos a gente entusiasma-se, grita, chama nomes ao árbitro. Os outros números sabem todos ao mesmo, é comer e calar.



Saudações monárquicas

quarta-feira, abril 26, 2017

Ontem...

Ontem, foi mais um dia desencorajante, um dia para não ver nada em português, para evitar ouvir portugueses, um dia adequado para escrever memórias, ir tratar dos animais ou regar as plantas Um dia passageiro, um dia insuportável. Insuportável para muitos mas não para a nomenclatura republicana. Tenho para mim que quem o celebra é porque lucrou pessoalmente com ele. Pois é difícil defender que um país completamente dependente do exterior possa festejar em conjunto o que quer que seja. Se ao menos toda essa dívida acumulada tivesse sido melhor distribuída! Seria ainda assim uma pobre desculpa para as gerações que no futuro a terão de pagar mas era apesar de tudo uma justificação! Porém, estamos a falar do país mais desigual da união europeia! A mãe dessa desigualdade afrontosa tem um nome e vários apelidos. Quem não a conhece bem confunde-se e trata-a pelos apelidos! Reclama, face à injustiça que sente, contra a corrupção, contra a fraude, contra o abuso do poder sem se dar conta que combate contra moinhos de vento! O nome dela verdadeiro é república, neste caso a terceira que já levamos, e tal como as duas anteriores tem os mesmos apelidos!

Saudações monárquicas

segunda-feira, abril 24, 2017

A França do nosso descontentamento!

A história da França talvez se divida em vários períodos mas para a memória que interessa podemos dividi-la em dois marcos decisivos, a saber: - a  França monárquica, cristã, onde a Europa se apoiava, e a França da bastilha, jacobina, decadente, e transtorno permanente para a Europa. Situação que mais uma vez se comprova. Os media embandeiram em arco, a esquerda rejubila porque um tal Macron que ninguém conhece, conseguiu um bom resultado na primeira volta das presidenciais francesas! O homem trabalhava num banco, diz-se europeísta, seja lá o que isso for, e bastou agitar o papão do nacionalismo para ganhar umas décimas à candidata da direita, e assim seguir com ela para a segunda volta. A conclusão de tudo isto não nos deve enganar. A França tem dois candidatos republicanos, e enquanto Macron quer continuar a viver à boleia da Alemanha, a Le Pen sonha com uma grandeza que a república nunca teve a não ser no fugaz período napoleónico. Neste caso uma falsa grandeza. Quanto à questão islamita, o mal está feito, é uma consequência do laicismo francês, e enquanto este laicismo der cartas na França e na Europa, bem podem expulsar ou fechar fronteiras que ele vai continuar a ganhar terreno. Porquê?! Porque o Islão só se combate com uma religião superior. Que era a que a França professava e já não professa.


Saudações monárquicas



Nota básica: Para percebermos bem a nossa desgraça temos que nos lembrar que Portugal segue a França desde 1820! 

terça-feira, abril 18, 2017

Pilatos entre nós!

Em resultado das últimas escavações no cérebro indígena aventa-se a hipótese de Pilatos, terminada a comissão de serviço na Palestina, ter sido colocado em Portugal para organizar a justiça. Consta até, mas isto já faz parte da lenda, que gostou tanto destes ares que por cá ficou e se reproduziu. A hipótese baseia-se no extraordinário número de processos judiciais que se arrastam sem qualquer decisão e na preferência exagerada pela forma em prejuízo da substância. Aliás nem foi preciso escavar muito, bastou comparar o peso da produção legislativa com a eficácia das leis para se concluir que havia descendentes de Pilatos em toda a parte. Na assembleia da república os vestígios são imensos, na presidência o sim e o não foram substituídos pelo talvez, e nos tribunais os juízes mandam apagar provas, e quando isso não é possível, fecham os olhos ás evidências e já não confiam no flagrante delito! O lema é não julgar para não errar. Falta apenas o ritual da bacia onde se lavam as mãos.


Saudações monárquicas


Nota de roda pé: O futebol, esse, está cheio de Pilatos e da sua justiça. Foi assim que na última jornada vimos dois jogadores (Samaris e Edson Farias) disponíveis para jogar, apesar dos murros que deram, enquanto outros que por terem visto um cartão vermelho, ou terem completado cinco amarelos, tiveram que ser castigados! E digam lá se isto não é justiça de Pilatos!

quarta-feira, abril 12, 2017

O futebol em flagrante delito!

Incapaz de fazer justiça num caso de flagrante delito, um caso que toda a gente viu, a justiça desportiva foi ela própria apanhada em flagrante delito! Invocando, como sempre acontece em Portugal, um legalismo qualquer, prepara-se para deixar o agressor impune em termos de justiça útil, beneficiando assim o clube do agressor que como se adivinha o poderá utilizar para os fins que entender! Quanto ao agressor já sabe que, desde que o árbitro não veja, pode continuar a agredir os adversários porque a penalização só acontecerá quando o campeonato acabar. E nessa altura o mais provável é já ter sido transferido para um outro campeonato salvaguardando os interesses do actual clube! Melhor ou pior do que isto é impossível.

Estas são as notícias que tenho e que ainda não vi contraditadas. A partir daqui começa a contagem decrescente para a impugnação deste campeonato. O motivo é simples: - a justiça do futebol está a proteger os infractores e a atraiçoar a verdade desportiva.


Saudações azuis




Nota básica. Este é um caso que seria resolvido em dois dias num qualquer país civilizado. O argumento ridículo da moldura penal é apenas isso, um subterfúgio ridículo.

terça-feira, abril 11, 2017

Ao correr da pena…

Sobre o aumento da dívida Rui Ramos deixa avisos (e dúvidas) no Observador:

‘Mas para que são as preocupações, enquanto a União Europeia mantiver Portugal ligado ao pulmão de aço do BCE? Em 2008, o mundo descobriu o sub-prime: empréstimos de alto risco a quem não podia pagar. O BCE está a produzir um outro tipo de sub-prime: o financiamento politicamente motivado de Estados que recusam reformar-se…Um dia também este sub-prime será descoberto. Bastará, por exemplo, que alguma eleição corra mal na França ou na Alemanha.'

Sobre este assunto ocorre-me Camões quando cantava a ‘lusitana antiga liberdade’, afinal o bem mais precioso da Pátria. É que a dívida será sempre a nossa grilheta, o sinal da escravidão. Assim, e por mais elogios que se façam ao governo, o próximo 25 de abril será o menos livre desta terceira república. Nem sei bem o que iremos comemorar!

Noutro quadrante António Costa deu uma entrevista ao El País pedindo novamente a cabeça do actual presidente do Eurogrupo. E novamente no local errado! A novidade é que sugere o nome do espanhol Guindos para substituir o holandês. Isto transporta-nos directamente para uma encruzilhada da história! A equação é a seguinte: - o governo prefere os Filipes, a nossa velha aliada fez-se ao largo e abandonou-nos. Entretanto no sul de Espanha jovens finalistas portugueses, qual ala dos namorados, tentam reeditar Aljubarrota e destroem um hotel. Em que ficamos?!


Saudações monárquicas


* Em itálico, retirado com a devida vénia do jornal Observador de hoje.

segunda-feira, abril 10, 2017

A geração mais qualificada de sempre!

Eu até podia acreditar no título que dei ao postal embora saiba que instrução não tem nada a ver com educação. Mas também não acredito na instrução. São pouco instruídos, deseducados na dependência e na fartura de direitos, sabem muito pouco de deveres. Formatados pela televisão e pelos telemóveis pensam todos da mesma maneira, mudam todos de opinião ao mesmo tempo, sozinhos talvez sejam aturáveis, em grupo são insuportáveis. E não vou falar de culpas porque a culpa é sempre dos outros. Seguindo esse caminho, a culpa maior no caso dos ‘finalistas’ expulsos é com certeza do hotel! Seja porque a ementa não era variada, seja porque não compreende que sofás no elevador, televisões na banheira ou candeeiros arrancados das paredes são coisas naturais em jovens que se querem divertir. Assim como a culpa dos excessos de consumo só pode ser atribuída aos respectivos produtores. Tudo o resto que ficou por dizer e explicar a responsabilidade vai direitinha para o governo anterior.

Finalmente para descanso dos pais e das crianças esperamos que Costa e companhia exijam a demissão imediata do gerente do hotel. Um xenófobo racista que assim discrimina jovens de um país que sofreu um resgate.



Saudações monárquicas

quarta-feira, abril 05, 2017

Abaixo a república!

Isto assim não serve, depois do BES agora é o Monte Pio, os outros bancos já foram, vivemos numa realidade virtual, com um presidente e um primeiro ministro a porem água na fervura com medo de dizer a verdade aos portugueses! E a verdade tem a ver com o regime porque foi este regime que fabricou esta nomenclatura e os interesses que lhe estão subjacentes. Interesses que se cruzam, misturam, que estão por todo o lado e tudo contaminam. É a constituição que os protege e quando não é ela, aparece sempre um juiz ou uma juíza para fazer o serviço. Agora há muita gente indiciada, poeira para os olhos, porque o mais certo é ninguém ser condenado. Aliás teriam que condenar primeiro os de cima, os vários presidentes, que por mais livros que escrevam não se livram de responsabilidades. O estado da nação é este. Uma nação à deriva que nem estratégia tem para o futuro! E não havendo futuro garante-se o presente através de lugares e tachos na função pública. Em contra ciclo europeu (e mundial) vamos ensaiando uma experiência socialista fora de prazo! E que só pode acabar mal. Em termos geopolíticos, e contrariando o destino, optamos pelo continente enquanto a nossa velha aliada se faz ao largo! Já demos esta matéria e foi um desastre...
E assim, a palavra de ordem e única palavra de esperança para qualquer português é: - abaixo o regime que nos sufoca! Abaixo a república! Democraticamente, claro. E se a bendita constituição o permitir!


Saudações monárquicas

terça-feira, abril 04, 2017

A costa das mentiras!

De mentira em mentira o regime encalhou na última mentira. E com ele o governo. É a mentira do BES ou Novo Banco onde se escondem todas as imparidades da república! O banco mau, que era só joio, foi separado, mas afinal no banco bom também não há trigo! A carga do navio foi saqueada por piratas! Com os porões vazios aventa-se a hipótese de vender o que lá não existe numa daquelas operações que só pode passar pela cabeça de outros piratas! No meio desta pirataria toda o comandante do navio sorri para o seu imediato e sugere uma selfie para a posteridade! A tripulação, que ainda não percebeu que está encalhada, entrou em delírio!



Saudações monárquicas

terça-feira, março 28, 2017

Não há espelhos nesta terra!

Rezam as crónicas que os descobridores trocavam com os nativos espelhos e recebiam ouro e prata, ou seja, cada um dava aquilo que tinha. A história sorri da esperteza lusitana e zomba da ingenuidade indígena. Porém, passado todo este tempo estou inclinado a dizer que não fomos assim tão espertos pois os espelhos que demos estão agora a fazer-nos muita falta. Por isso não reparamos nas figuras tristes que andamos a fazer!

A urgência é imortalizar contemporâneos, de preferência futebolistas. Primeiro avança-se com a estátua em vida não vá a eternidade esquecer-se dele. A saga comemorativa prossegue e aterramos com pompa e circunstãncia no aeroporto Cristiano Ronaldo situado na Madeira! Onde já existe estátua, largo, museu, e a pergunta impõe-se – para quando mudar o nome da ilha?!

Mais tarde, convertido em herói da república, enfia-se o homem no Panteão obrigando o defunto a conviver com gente que ele não conhece de lado nenhum! E que provávelmente detestaria conhecer.
É o que eu digo, não há espelhos nesta terra!


Saudações monárquicas

segunda-feira, março 27, 2017

A casa das selecções!

Era inevitável que mais dia, menos dia a rivalidade e o facciosismo irrompessem pela selecção nacional de futebol, ela que se transformou na última (e única causa) comum que parece unir os portugueses! A ajudar nesta rivalidade o facto de, para servir os interesses particulares dos grandes clubes ou justificar os gastos com os estádios do Euro, a Federação Portuguesa de Futebol tenha práticamente abandonado o estádio nacional! Um estádio que é de todos os portugueses e onde, até à data, nenhum português se sentiu discriminado. Aliás quase todos os países fazem questão de ter um estádio nacional condigno pois só ele pode ser a verdadeira casa das selecções. Aquilo que se passou no estádio da Luz, os desacatos entre claques clubísticas, num jogo que era para ser uma celebração de unidade, irão por certo prosseguir noutros locais e demonstram o erro crasso cometido. Demonstram também outra coisa em termos comunitários: - pobre país que não tem mais nada a que se agarrar a não ser à selecção de futebol e aos seus ídolos de pés de barro!



Saudações monárquicas

quinta-feira, março 23, 2017

Mais a sério

O que o presidente do euro grupo veio realmente dizer é muito importante para o futuro da união europeia. Se é que ela vai ter algum futuro. A julgar pela unanimidade das condenações não me parece. E não me parece quando vejo tanta gente a mentir atrás de uma frase retirada do seu contexto! O holandês, para quem leu toda a entrevista, estava falar de uma coisa muito simples e que qualquer pessoa percebe. Disse ele que a solidariedade, seja entre pessoas ou nações, pressupõe sempre uma relação de confiança. E quando essa confiança é quebrada a solidariedade também se quebra! Qual é a dúvida?! A única dúvida só pode ser o desplante de algum mentiroso que, apanhado a mentir, continua a acusar os outros de mentirosos! Dou o exemplo da Grécia com quem nos vamos parecendo cada vez mais, mas para pior. Os gregos martelaram as suas contas anos a fio para continuarem a beneficiar da solidariedade dos outros países da união. Descoberta a marosca, quebrada a confiança, ainda protestaram durante algum tempo. Depois calaram-se e aceitaram um programa de recuperação que já não é de solidariedade, é terapêutico. Para curar as contas e as mentalidades. Se calhar é o que nós precisamos. E se o tratamento correr bem, agradeçam ao holandês.


Saudações monárquicas

quarta-feira, março 22, 2017

Os cágados!

Os cágados, maridos das tartarugas, mas muito mais cágados, gritaram a sua indignação porque o presidente do euro grupo, um holandês com nome difícil, disse que havia gente a gastar mais do que devia. E deu dois exemplos de dinheiro mal gasto. Álcool e mulheres! Foi o suficiente para pedirmos a imediata destituição do homem.

Os protestos começaram na zona do Alvarinho, apanharam toda a região demarcada do Douro, chegaram ao Porto, voltaram-se para a Bairrada, o carrascão exaltou-se, juntaram-se ao moscatel, ultrapassaram o Alentejo e só não embarcaram em Lagos porque o protesto já era muito e não deram com as caravelas!

Mas aquilo que mais destemperou o ânimo lusitano foi a insinuação de que gastávamos dinheiro com mulheres! Que não, que isso era dantes, os marialvas, agora não somos sexistas, é tudo igual, o holandês é um malandro xenófobo, e que isto é uma desculpa para não nos emprestar mais dinheiro. E pronto, por hoje é tudo.


Saudações monárquicas

sábado, março 18, 2017

A lista da terceira república!

Os ‘peregrinos de Évora’ e todos os que beneficiaram dos favores de César, incluindo aqueles que fecharam os olhos às suas diatribes, andam irrequietos. Dói-lhes a previsível acusação porque sabem que a presunção de inocência é, neste caso, uma mera figura de retórica. E escrevem livros a justificar condutas, álibis de trazer por casa, ou debruçam-se sobre os prazos, que acham exagerados, sugerindo que se devia arquivar o processo para sermos todos felizes como dantes. E há ainda quem proteste por estarem em causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos! Entre estes está Pacheco Pereira mas a sua preocupação maior parece ser outra e por isso sugere a partição do processo em vários! Pacheco tem medo que a ‘operação Marquez' se transforme no processo da terceira república, e isso ele não aguenta. Mesmo que seja verdade como tudo indica que será atendendo à teia de cumplicidades que todos os dias se vão descobrindo!



Saudações monárquicas

sexta-feira, março 17, 2017

Insultos do século passado!

Quando a expressão ‘comunista’ for um insulto igual ao de ‘fascista’, então os pratos da balança estarão equilibrados e podemos começar a falar de política. Até lá convém fazer uma desintoxicação semelhante à que se utiliza para as drogas pesadas ou para o alcoolismo. Em ambos os casos há esperança mas não há garantia de cura.

Eu fui de certo modo bafejado pela sorte, não bebo nem fumo e vacinei-me desde tenra idade contra a propaganda oficial. Leio pouco, evito os best-sellers, no cinema evito os óscares e na televisão vejo o Belenenses sem comentários. É uma receita caseira, útil e acessível a todas as bolsas.

Feito este preâmbulo podemos concluir que estamos muito longe de atingir aquele nirvana. O comunismo continua a ser tolerado e até bem visto enquanto fascismo e fascista continuam a ser ofensas que fazem mossa.

Pois bem, e a terapia começa aqui, a pergunta que nos fazemos é esta: - mas qual é a diferença (para quem insulta) entre um comunista e um fascista?! Dito de outra maneira: - o que é que há de bom ou mau num comunista que não se encontre num fascista?! 

Da resposta a esta questão depende muito o estado de saúde mental em que nos encontramos. É uma espécie de termómetro que mede os avanços da cura ou pelo contrário as recaídas na doença.



Saudações monárquicas


Nota básica: Nesta terapia ajudava muito se a Constituição tratasse de igual modo a direita e a esquerda, a extrema-direita e a extrema-esquerda.

quinta-feira, março 16, 2017

Factos históricos!

Sampaio dissolveu o parlamento onde havia uma maioria que suportava o governo e fez cair Santana Lopes. Um facto histórico. Escreveu agora um livro onde justifica tal decisão, dizendo que o país estava à deriva! Santana responde desafiando o antigo presidente para um debate público, civilizado, sobre a matéria. E vai acrescentando, com a evidência dos factos pelo seu lado, que se o país com ele estava à deriva, o seu substituto José Sócrates (apoiado no PS) encarregou-se de o meter no fundo. A pique. Outro facto histórico.

Mas há mais factos históricos para lembrar! Por exemplo, foi no consulado de Sócrates que o processo da Casa Pia se libertou dos políticos e da política, numa interpretação literal e muito curiosa da separação de poderes! Todos nos lembramos de quem foi a julgamento e de quem não foi.

Mas os grandes (e desastrosos) factos históricos que se seguiram à dissolução de Sampaio estão hoje na ordem do dia e não há nenhum português que não os conheça. Ou que não os adivinhe. Está tudo no 'processo do Marquez'. Até lá vão-se escrevendo livros…



Saudações monárquicas

segunda-feira, março 13, 2017

Todos os caminhos vão dar ao Marquez!

Há bancos desfalcados, há caloteiros e calotes por pagar, há transferências para offshores que desaparecem, outras que aparecem, há apagões fiscais selectivos e há grandes empresas mortas mas que ainda há pouco tempo pareciam gozar de excelente saúde! Há políticos suspeitos, gestores suspeitos, advogados suspeitos e até juízes suspeitos! A comunicação social independente não existe e há uma população embasbacada, amorfa, a olhar para tudo isto como se estivesse a ver um programa de televisão! E temos o futebol como droga de eleição, e biombo perfeito onde se escondem trafulhices e euros!

O país é pequeno e já se percebeu que há um fio condutor que liga muitos daqueles acontecimentos à operação Marquez e ao ex-primeiro ministro José Sócrates. E se puxarmos a ponta do novelo é bem capaz de vir tudo atrás – o regime republicano e a tralha que o mantém. Será essa a razão do nervosismo geral e da crispação que entretanto se vive. Convém não esquecer que o actual primeiro-ministro era o número dois no governo de Sócrates e por mais hábil que seja vai ser muito difícil passar nos intervalos da tempestade que se anuncia. Pois vem aí a provável acusação aos arguidos da ‘Operação Marquez’! Veremos, depois disso, o que sobra dos afectos de Marcelo e do optimismo do Costa.

Saudações monárquicas



Nota básica: Também não descarto um longo impasse, com muitos recursos, seguido de uma grande amnistia. Estamos em Portugal, vivemos em república, onde a justiça tem dois pesos e duas medidas. E todos concordam com isso.

quinta-feira, março 09, 2017

Fechem as universidades!

Os meus impostos não podem servir para fabricar ‘doutores’ que limitam a liberdade de expressão a quem não pensa como eles! E também não podem servir para fabricar reitores que têm medo dos alunos, nem ministros que têm medo dos reitores, etc! E não servem porque não precisamos de formar mais gente para reproduzir o pensamento único, o partido único, e todas essas ‘amplas liberdades’ de inspiração soviética! O que temos já é mais do que suficiente como os recentes atentados à liberdade de expressão amplamente comprovam! E não me refiro apenas ao episódio dos alunos que não queriam ouvir Jaime Nogueira Pinto, nem ao reitor que teve medo dos alunos, estou a pensar num conjunto de proibições ‘constitucionais’ que vedam ao comum dos portugueses o conhecimento da verdade, ou pior ainda, limitam as suas liberdades políticas. Só para dar dois exemplos - a proibição de mudar o regime republicano, incrível atestado de menoridade aos portugueses actuais e vindouros, ou a impossibilidade de sabermos quem são os caloteiros da Caixa ainda que tenhamos que pagar o respectivo calote!

Pois é, verdadeiramente o PREC ('processo revolucionário em curso') nunca acabou. Como já tenho escrito vivemos numa ditadura constitucional de esquerda, sendo que a dita constituição, e nas várias revisões que sofreu, nunca perdeu a matriz original. Foram truques de cosmética, nada mais. É uma constituição antidemocrática ao melhor estilo soviético. Veja-se aliás quem a defende com unhas e dentes! Acresce que a miríade dos seus artigos (mais de trezentos!) não é inocente. Permite que os tribunais superiores, todos eles dominados pela nomenclatura, mantenham tudo como está. Assim, e sem grande alarido, estamos a construir uma sociedade acéfala, monolítica e medrosa. Para não dizer merdosa. 


Saudações monárquicas 

terça-feira, março 07, 2017

Afinal os milhões só apareceram agora!

A golpada do Costa para incriminar o anterior governo e distrair as atenções do buraco da Caixa Geral de Depósitos está a cair aos bocados na comissão de inquérito. Até mete dó! A geringonça foi buscar lã e está a ser tosquiada! A última a ser apertada foi a directora geral do fisco que confirmou que afinal as declarações respeitantes a 80% dos tais dez mil milhões que andavam desaparecidos, só deram entrada nas finanças em 2016! E sendo assim não podiam ser conhecidas do anterior governo. A marosca fica desmontada e a tese do erro informático muito fragilizada. A solução para a esquerda passa agora por ouvir toda a gente e nesse sentido já convocaram Vítor Gaspar e a sua sucessora nas finanças! O que é preciso é ganhar tempo e continuar a mentir. A não ser que seja para mais um momento de humor a cargo do brilhante inquisidor do PS! Imagino a pergunta fatal aos dois ex-ministros das finanças: - os senhores por acaso percebem alguma coisa de computadores?!
Enfim, um dia a casa cai de vez.


Saudações monárquicas

quinta-feira, março 02, 2017

A república offshore!

Quando um dia se fizer a história desta terceira república estou convencido que os historiadores não hesitarão em classificá-la como a república offshore! Ou então, sem estrangeirismos, a república dos cambalachos! Cambalacho no sentido de tramoia, golpada, ainda assim expressões relativamente suaves face ao que vamos conhecendo sobre os vários personagens que traficam na área do poder. Eu até divido estes longuíssimos anos abrilentos em três períodos: - o primeiro, que corresponde ao golpe militar e à tramoia da descolonização; o segundo que corresponde à fuga para a união europeia e à epopeia de viver à conta; e o terceiro que corresponde à ditadura constitucional e ao regabofe que ela proporciona. Vivemos agora nesse período, talvez na sua fase final, em que todos os dias se descobrem falcatruas e onde é cada vez mais difícil descortinar inocentes! Daí também, e por mais paradoxal que pareça, a enorme dificuldade em indiciar ou acusar alguém! O máximo que se consegue é imputar culpas ao sistema informático!



Saudações monárquicas

terça-feira, fevereiro 28, 2017

A lista fatal!

"O presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, defende a divulgação da lista de maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, como pretende a oposição na comissão parlamentar de inquérito ao banco público, já que considera que esta seria apenas “uma ameaça aos ladrões” e não uma “ameaça ao regime." 

(Lido no Jornal 'Observador')


Comentário:

Um tiro na mouche. Ou se preferirem, um tiro em cheio. A Caixa Geral de Depósitos foi a manjedoura da terceira república e só não vai continuar a ser porque faliu. É verdade que em Portugal, como em qualquer país falhado, o público e o privado confundem-se, daí que seja muito difícil separar o trigo do joio. Ferraz da Costa inclina-se para a privatização da Caixa, embora ela já seja privada pois está apenas ao serviço de alguns. Eu inclino-me para a mudança de regime político, única forma de deixarmos de ser um estado falhado.


Saudações monárquicas

domingo, fevereiro 26, 2017

Voltemos ao que interessa!

Pronto, o homem já assumiu as responsabilidades, já disse que era burro, incompetente, demitiu-se do partido, mas também disse que a publicação das estatísticas é independente da cobrança dos impostos e que o prazo para tal termina em 2024! Voltemos pois ao assunto que interessa e que foi interrompido com a manobra de diversão dos offshores. O que o povo português quer é a lista dos créditos de favor e os nomes dos beneficiários desses créditos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos. Lista que o tribunal da Relação já decidiu que deve ser entregue à Comissão de Inquérito da Assembleia da República. Tão simples como isto. E não estamos a falar de estatísticas, mas de crédito mal parado. O problema é que em Portugal há sempre dois pesos e duas medidas. Quando o conhecimento da verdade pode atingir a direita usa-se toda a artilharia disponível e mais alguma. Quando esse mesmo conhecimento pode afectar a esquerda (e os seus poderes ocultos) usam-se todas as artimanhas e artifícios para esconder a verdade. Foi assim que conhecemos toda a verdade, incluindo os nomes dos protagonistas políticos no escândalo dos 'ballet rose', vícios do tempo do Salazar. Já no que toca aos 'ballet blue' - leia-se processo da Casa Pia - políticos nem vê-los! Eram de esquerda, apareceram e desapareceram rápidamente do processo. Se calhar vai ser assim com a Caixa Geral de Depósitos.


Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Portugal no fio da navalha!

Num cenário cada vez mais parecido com os finais da primeira república, ainda sem bombas nem revoluções diárias por que senão a mesada europeia acabava-se, a verdade é que o confronto político subiu de tom e o inquilino de Belém está cada vez mais enredado na teia dos seus afectos! Sendo assim e para variar vou transcrever alguns comentários que fiz no jornal Observador a propósito dos temas mais candentes da actualidade política.


(Porque somos uma sociedade atrasada)

Só uma sociedade atrasada é que ainda mantém partidos comunistas com alguma expressão eleitoral. Isto é uma verdade evidente. Está à vista de todos. Basta olharmos para os países mais desenvolvidos da Europa onde os partidos comunistas ou desapareceram ou não têm hoje qualquer relevância política. Mas há uma pergunta que não podemos deixar de fazer a nós próprios - mas onde é que nos atrasámos, melhor dito, o que é que nos atrasou?! E continua a atrasar?! Há quem afirme, e eu concordo, que os nossos políticos ainda estão no século dezanove, mas isso não é uma explicação, é um facto. Explicar as causas desse anacronismo é que interessa saber. Para corrigir. O resto é conversa fiada. Eu tenho um palpite mas não digo.


(As ilusões sobre o fim da crise)

Mas quem é que tem ilusões sobre o fim da crise?! Ninguém! E é precisamente por isso que o governo e os seus acólitos não param quietos e todos os dias tentam distrair a população com uma balela qualquer. Agora são os offshores e as fugas ao fisco no tempo do Passos Coelho! Não há pachorra.
Sobre o fim da crise a única verdade que conta é esta: - Quando houver um português com a confiança suficiente para assumir o risco de investir o seu dinheiro no seu o país, então sim, a crise acabou. E todos saberemos disso ao mesmo tempo. Até lá é tudo mentira.

(Um governo sob suspeita)

'As suspeitas se não chegam para derrubar um governo (em Portugal) chegam talvez para desacreditar um regime'! Uma previsão cada vez mais próxima. Tão impossível de acontecer como o fim da união soviética e já agora o fim da união europeia. Será aquilo a que chamamos uma surpresa esperada. O clima trauliteiro e de golpes baixos ainda não desceu à rua, por enquanto mantém-se e desenvolve-se nas altas esferas de uma nomenclatura cada vez mais dividida. Mas porque estamos completamente dependentes do exterior, à mínima falha que dali provenha, o país pode incendiar-se. E nessas circunstâncias Marcelo não tem condições para ser bombeiro. E nem vejo quem possa sê-lo!



Saudações monárquicas

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

A caixa da Mariquinhas!

Não são cortinas de ferro nem há muros de silêncio, por enquanto são apenas umas tabuinhas, um resguardo discreto para evitar olhares indiscretos. Os portugueses podem estar sossegados, confiem em nós porque nós só queremos o bem da nação! A Caixa é do povo, as tabuinhas protegem a caixa, protegem o sistema financeiro, protegem os clientes. No fundo protegem o povo. Além do mais as tabuinhas estão na constituição, é a nossa privacidade que está em jogo! Já imaginaram o que seria a Caixa sem tabuinhas?! Era uma vergonha! Via-se tudo! Viam-se os créditos de favor, viam-se os beneficiários desses créditos, conheciam-se as imparidades, o enriquecimento sem causa, as causas da falência da Caixa, via-se a manjedoura da terceira república em todo o seu esplendor! Portanto as tabuinhas fazem falta. Já me esquecia, acabava-se a novela dos SMS, apanhavam-se os mentirosos e, muito importante, a mitologia da banca pública, a sua celebrada seriedade e transparência, caiam por terra! Mais uma razão para a esquerda defender as tabuinhas. É o nosso fado. Pobre Caixa, coitada da Mariquinhas.


Saudações monárquicas

sábado, fevereiro 18, 2017

Republicanos fiáveis...

Republicanos completamente fiáveis não há. E não há desde logo porque mantêm, consciente ou inconscientemente, aquele recalcamento, filho do egoísmo, e que se traduz na incapacidade de abdicarem do seu direito à chefia de estado em nome de um valor maior - a paz e a prosperidade da comunidade que dizem amar acima de tudo! Neste sentido também são mentirosos. E hipocritamente preferem participar (ou assistir) à luta de galos em que inevitávelmente se transforma qualquer eleição para a chefia de estado. Onde escrevi 'galos' pode ler-se, porque a acepção é mais verdadeira, luta de facções, de interesses, sempre obscuros, em suma,  uma luta que tem pouco a ver com a unidade que se pretende na representação do todo nacional. Por isso a ciência política ensina que as repúblicas passaram a monarquias como única solução para acabar com aquela guerra civil latente e assim manter a integridade das pátrias. O intróito acaba aqui e para quem visita estas páginas já não é novo. E vou repeti-lo sempre.

E é desta maneira que entramos nas 'quintas-feiras e nos outros dias' de Cavaco Silva, um dos republicanos mais fiáveis desta terceira república. É verdade que teve os seus pecados políticos, mas só o facto de ter aturado, às quintas feiras, o nosso conhecido engenheiro Sócrates, isso vai dar-lhe algumas indulgências na hora de enfrentar o juízo final. Mas para além de Sócrates aquelas páginas são a melhor legenda para o que acabei de escrever acima. A república é aquilo, é aquela guerra suja, permanente, sejam quais forem os protagonistas. E desta guerra ninguém sai incólume. Nem Cavaco.


Saudações monárquicas

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Henrique de Bragança

Morreu ontem o infante Dom Henrique, o irmão mais novo do Duque de Bragança. Morreu com a mesma discrição e simplicidade com que viveu! De porte pesado, dos três irmãos era o mais parecido com o seu trisavô, o rei Dom João VI, morreu ainda novo, tinha apenas sessenta e sete anos! Tal como os seus irmãos, nasceu no estrangeiro, mais própriamente na Suíça, no tempo em que os príncipes portugueses estavam proibidos de nascer em Portugal! O regresso à Pátria só foi possível durante a segunda república e terá sido negociado entre Salazar e os poderes ocultos desta terra que um dia já foi livre e nossa.
Dom Henrique teria desaprovado esta última farpa pois não gostaria que se aproveitasse a sua morte para invectivar seja quem for! Mas eu que não tenho a sua nobreza não consigo apagar isso da memória.

Em meu nome e por certo de quem me visita, o interregno apresenta á Família Real sentidas condolências.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

As mentiras do ministro ou a mentira do regime!

Pouco me importa que o ministro tenha mentido. E todos sabem que mentiu, excepto provávelmente o próprio! Importa-me mais a confiança, um ponto de apoio onde possa alicerçar o futuro e esse a república não o consegue construir. Sim, porque a confiança é de facto uma construção, bem morosa e difícil, seja entre pessoas seja numa comunidade que é suposto ser histórica! Mas ainda o será?! Histórica no único sentido possível, com uma identidade comum sendo que essa identidade se mede em valores que sobrelevam os séculos e nos distinguem de outras comunidades pois senão não haveria razão para seguirmos um caminho independente. E a pergunta repete-se - seremos ainda essa comunidade fundada por um rei que usava uma Cruz no escudo com que se protegia dos infiéis?! Ou somos apenas mais uma guerra civil democrática em processo acelerado de decomposição?! Ah, pois, já me esquecia, ainda temos o Ronaldo como prova de vida e camisolas para oferecer! Que pobreza! Que tristeza! E que futuro! Mas temos mais e temos tudo tão parecido com as repúblicas anteriores que até dói! O mesmo devorismo, o mesmo estado clientelar, a mesma corrupção, a mesma impunidade, a mesma injustiça. E muitos recordes a serem batidos! E que faz entretanto o governo e quem o apoia?! Faz de tudo para se manter... incluindo mentir!


Saudações monárquicas