sexta-feira, março 19, 2010

Os idos de Março

Março faz lembrar a guerra e quando relacionamos a data com a história recente o acontecimento que ocorre é o onze de Março de 1975 – um golpe comunista sobre a revolução de Abril de 74, uma deriva totalitária que durou alguns meses e viria a ser neutralizada em 25 de Novembro do mesmo ano, graças sobretudo à intervenção de Jaime Neves e do regimento de Comandos. A solução de continuidade entretanto encontrada teve a habitual originalidade lusitana - Portugal continuou na órbita dos Estados Unidos e o Partido comunista foi autorizado a prosseguir os seus esforços para derrubar a democracia representativa. Daí degenerámos até à situação actual.

Mas não é deste onze de Março que vos quero falar, tão pouco da morte de César às mãos de Brutus, é de outro que poderia ter mudado o curso da história portuguesa.
Refiro-me ao ’11 de Março de 1959‘ ou ‘Golpe da Sé’, assim chamado porque os conspiradores tiveram algumas reuniões nos claustros da Sé de Lisboa, onde era pároco um dos conjurados.
O manifesto do movimento, curto e incisivo, falava em derrubar a ditadura de Salazar e deixava espaço para a revisão do regime. Entre os implicados, civis e militares, havia uma predominância de católicos, de monárquicos (esperançosos pelo fim do interregno) e muitos outros sem cor política definida. O sentimento comum era de salvação nacional perante a incapacidade do regime em se regenerar, e acima de tudo em perceber, para evitar, o descalabro ultramarino que se avizinhava. Recorde-se que a invasão de Goa ocorreu dois anos depois, em 1961, e nesse mesmo ano rebentou o terrorismo e a guerra em Angola.

No cerne da conspiração a figura e a coragem de um capitão de cavalaria, José Joaquim de Almeida Santos que haveria de pagar pela ousadia um preço bem alto.
A história é conhecida, travado à última hora por denúncia, o golpe abortou, o Capitão foi preso junto com outros implicados, conseguindo evadir-se mais tarde do forte de Elvas, onde aguardava julgamento. Na fuga participaram dois cúmplices, filo-comunistas sabe-se hoje, cúmplices que o haveriam de executar à traição no esconderijo da clandestinidade. Pelo meio uma jovem e bela mulher, amante do capitão e que os ajudou na fuga. Personagem insinuante, vivia com eles no abrigo, e haveria de admitir, trinta anos depois, que o seu testemunho fora falso, forjado, tal como o dos outros dois, no intuito de se salvarem de penas mais pesadas.
Consumado o crime, o corpo do capitão Almeida Santos foi encontrado por pescadores na praia do Guincho, alertados por cães em volta daquilo que parecia ser um cadáver mal enterrado na areia.
Estávamos no fim de Março de 1960 e a data do crime foi fixada pelos peritos em 15 de Março de 1960. Nos idos de Março, portanto, tal como a morte de César!

O resto da história chegou aos nossos dias de forma quase sempre desfocada, contada (ou descontada) em balada anti-fascista, laureada, em requiem de encomenda, para justificar crimes de esquerda, versões que têm vindo a ser desmentidas pelo tempo, por factos novos e novas revelações. E de cada vez resulta mais nítida a importância que teria o êxito do Golpe da Sé, como também resulta mais límpida a coragem do Capitão Almeida Santos (Dom Quixote em terras de Sancho Pança). E fica claro quem frustrou aquele movimento de capitães para cavalgar outro, treze anos de guerra mais tarde, e já sob estreito controle de comunistas e derivados.
Com os resultados que estão à vista. (a)
E subsiste a pergunta do costume - quem mandou matar o Capitão Almeida Santos?

Saudações monárquicas


(a) – Para quaisquer dúvidas sobre resultados que se queiram fazer, convidamos o eventual leitor a comparar o seu rendimento anual com o rendimento anual de um qualquer administrador da PT. Eu sei que é demagogia, eu sei que a empresa é privada (em Portugal é tudo privado quando dá lucro e é tudo público quando dá prejuizo), mas mesmo assim, comparem, e deixem passar a demagogia.

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