segunda-feira, junho 26, 2017

Se calhar não merecemos ser independentes!

A independência é o bem mais precioso e por isso todos os países a defendem e valorizam. E também por isso fazem questão de a celebrar, seja na data da fundação seja em qualquer outra que simbolize a libertação do jugo estrangeiro. Mas Portugal e lembro-me que também a França não valorizam essa data e preferem comemorar guerras civis. Exemplos óbvios são a tomada da Bastilha em França e o cinco de Outubro ou o 25 de Abril em Portugal, golpes militares que significaram confrontos entre portugueses. A república ainda tentou mascarar a sua índole com o primeiro de Dezembro de 1640, data da libertação do jugo filipino, mas esse dia foi sempre mal amado pela maçonaria que advoga, como sabemos, a união ibérica. Foi assim que assistimos ao ping pong da sua remoção e reposição sucessivas, o que por si só indicia o pouco valor que o regime atribui à independência. E como os exemplos vêm de cima…

Um longo introito para curta conclusão tal é a evidência dos acontecimentos que vivemos! Um estado incapaz de proteger a população e por isso completamente dependente da generosa propaganda dos media. Um parlamento onde os deputados são completamente dependentes, não do voto nem dos eleitores, mas dos aparelhos partidários que os escolhem e impõem ao eleitorado. Um governo sem política e sem economia completamente dependente da generosidade europeia. Uma justiça atolada em incidentes e garantias, incapaz de condenar alguém que faça parte da nomenclatura!

Um país destes não tem condições para ser independente e por aí talvez se perceba a relutância em celebrarmos a data.



Saudações monárquicas

sexta-feira, junho 23, 2017

Paraísos!

A expressão offshore é para o vulgo um local onde o dinheiro passa férias e faz aquilo que lhe apetece. Um paraíso portanto. Em Portugal esta ideia de paraíso tem muitos entusiastas e à falta de melhor temos vindo a avançar para outras áreas e produtos mais de acordo com a complexidade das leis, a lentidão dos processos e a distracção das autoridades. Não vamos enumerar agora esses novos produtos até porque normalmente aparecem juntos, em pacote, sendo mais fácil designá-los pelo genérico de – corrupção!

Um exemplo da excelência do nosso paraíso pode depreender-se da seguinte notícia: - cartel espanhol de combate a incêndios por meios aéreos está a contas com a justiça, há inquéritos concluídos, investigações em curso e já prenderam pessoas. Soube-se entretanto que este cartel também actuou em Portugal, ganhou concursos e pelos serviços prestados cobrava o triplo do que devia cobrar. Conclusão: se não acontecer nada em Espanha, em Portugal também não acontece.

Isto vem a propósito de outra questão que tem tirado o sono a muita gente: - em Espanha o fisco anda a incomodar pessoas importantes, princesas, futebolistas, etc. por causa de supostos crimes de colarinho branco! Por cá levanta-se um clamor contra as leis e reclama-se a inocência geral! Falta apenas o convite: - mudem-se para aqui, porque aqui podem estar descansados. Afinal isto é um paraíso e a gente ainda se queixa!



Saudações monárquicas 

quarta-feira, junho 21, 2017

Quem é a protecção civil?!

Passado o luto nacional começam a surgir as perguntas inevitáveis. A primeira das quais, e que tarda em ser formulada, é a seguinte:- Quem é o rosto da protecção civil naquela região, naquele distrito, naqueles concelhos, onde o fogo lavrou e lavra sem dó nem piedade?! Quem foi a voz de comando no terreno, o personagem principal, aquele que nos países normais costuma assumir e coordenar todas as operações?! Sinceramente e apesar das inúmeras transmissões televisivas ainda não consegui fixar-lhe a cara ou o nome!

De facto vimos lá o comandante nacional dos Bombeiros, vimos um secretário de estado a tentar desempenhar um papel que não era o dele, vimos depois o primeiro-ministro, a seguir o presidente da república, e a partir de agora vamos ver as mesas redondas com os vários especialistas a falarem sobre o que aconteceu e não devia ter acontecido. Um filme gasto.


Na resenha dos políticos omiti os presidentes das Câmaras envolvidas no incêndio de Pedrogão mas na verdade devem ser eles, por inerência do cargo, os responsáveis pela protecção civil nos respectivos concelhos. Devem ser, mas não tenho a certeza. E se forem já se percebeu que há qualquer coisa de errado nesta organização, muito mais teórica do que prática. É evidente que nesta incerteza de tarefas e protagonistas o natural é que os políticos apareçam e tomem conta do discurso. Mas sem resultados práticos em termos de incêndio. Em minha opinião só atrapalham. 

sexta-feira, junho 16, 2017

Desígnios nacionais!

Está muito calor, Portugal saiu do procedimento de défice excessivo e todos nos rendemos às políticas deste governo que, sem fazer quaisquer reformas, antes acentuando o peso do estado na economia, conseguiu aquilo que nenhum governo de Abril havia conseguido, reduzir o défice. Fica provado que afinal não há vida para além do défice novíssimo descobrimento do socialista Costa que assim contraria a tese de outro eminente socialista, Sampaio de seu nome. Isto merece comemoração e medalhas e para isso temos cá o nosso afectivo presidente.

Outro desígnio nacional é o futebol, esteja ele ou não eivado de batota. Nessa conformidade Marcelo despediu-se da nossa selecção que está de partida para a Rússia, aproveitando ainda para condecorar o presidente do dito futebol! Podia tê-lo feito numa altura mais propícia, esperar que tudo se esclarecesse, mas não, a pressa é muita e as medalhas não podem esperar.

Conjugado com o anterior temos ainda outro desígnio nacional que é a reputação de Cristiano Ronaldo, faça ele o que fizer. Em nome dos golos marcados a Ronaldo tudo é permitido e perdoado – noivas a fingir, filhos sem mãe, indícios de fuga fiscal, etc. etc. etc. Quanto a medalhas já não há peito que aguente.


Deixei para o fim o último grande desígnio nacional, quase uma ideologia, herança da segunda república – o nacional benfiquismo. Para esta ideologia (ou será religião!) o Benfica é o bem, e quem contraria o Benfica é o mal. Como se comprova neste caso dos e.mail! Afinal o que aconteceu?! Piratas do ar, submarinos sem vergonha atacaram os documentos onde pode existir matéria para desconfiar que algo de errado se passa na arbitragem deste país. Prendam pois os piratas e deixem-nos continuar a 'trabalhar'.



Saudações monárquicas

terça-feira, junho 13, 2017

O Napoleão lá de casa!

O bonapartismo é uma doença da república, no caso da república francesa. Como sistema político descende directamente do cesarismo romano, e reaparece sempre que a representação política é precária ou insuficiente. Pode dizer-se que é a última fase de qualquer regime republicano. Uma fase em que os partidos tradicionais se afundam e com eles a democracia que representam. Para ser mais específico estamos a falar de uma democracia clientelar muito parecida com a portuguesa.
Em termos operacionais o cesarismo traduz-se, como o nome de césar indica, numa política intervencionista, de cariz militar, comandada pela necessidade de unir por fora aquilo que está desunido por dentro. Bonaparte não precisa de parlamento para discutir seja o que for, governa por decreto a partir do Eliseu, apoiado numa espécie de união nacional que vai referendando tudo o que Napoleão propõe. Esta aventura não costuma durar muito e acaba quando acabam as vitórias militares. Waterloo é a imagem que me ocorre.
Mas os tempos são outros e as circunstâncias também e por isso vejamos quem é e donde surgiu este novíssimo candidato a Bonaparte!

Em Fevereiro de 2015 podia ler-se que Hollande e o seu primeiro ministro Manuel Valls para não correrem o risco de ver chumbada determinada legislação no parlamento francês optaram pela via do decreto presidencial, uma excepção antidemocrática que a democrática constituição francesa permite, mas que raramente tem sido utilizada pelos presidentes franceses. Mas desta vez foi, o que provocou ondas de choque no sistema partidário nomeadamente no partido socialista que então governava. A dita lei chamava-se – Lei Macron – e tinha sido fabricada pelo ministro da economia de Hollande, um tal Emanuel Macron! Legislação restritiva, que tocava em direitos adquiridos, se calhar necessária, mas não a vamos discutir neste momento. O que nos interessa é o retrato, vá lá, o esboço deste napoleãozinho. O que sabemos hoje é que com alguma surpresa é o actual presidente da França e neste fim de semana ganhou as legislativas com grande facilidade e grande abstenção. E também sabemos que criticou Putin por causa dos homossexuais e que apertou a mão de Trump com tal energia que os Estados Unidos deram um grito de dor! Ora bem, esta energia é perigosa imaginando que o homem se vê a marchar à frente dos canhões e a disparar para tudo o que mexe! Perigosa para a Europa, para a senhora Merkel e para o mundo. Mas há quem aprecie, e eu também aprecio, os grandes génios militares. Os grandes cabos de guerra! Só que Macron não é militar e segundo consta o general lá em casa não é ele.


Saudações monárquicas

segunda-feira, junho 12, 2017

O dia do rafeiro

Em Portugal até os rafeiros têm raça! Ou se não têm arranjam uma, um pedigree qualquer, afinal somos todos filhos de Adão e Eva. Há repartições que registam o facto, paga-se qualquer coisa, e vem-se de lá com uma linhagem de se lhe tirar o chapéu.
E como há dias para tudo resolvemos hoje celebrar o rafeiro, o rafeiro em estado puro, espécie muito frequente nas nossas cidades e onde se reproduz fácilmente. Já não é assim no interior do país, menos acolhedor, desértico, com menos oportunidades para abanar a cauda, gesto de sociabilidade e louvor sem a qual não sobrevivem.
Mas a qualidade mais apreciada é indiscutivelmente a fidelidade! A fidelidade a quem lhe dá a comidinha todos os dias! Também é bom guarda, ladra por tudo e por nada, não vá o prato fugir-lhe! Às vezes acontece mudar de dono e aí as suas qualidades de adaptação vêm mais uma vez ao de cima. Até que surge a frase inevitável – foi com rafeiros deste quilate que chegámos onde chegámos! Esta conclusão sempre me pareceu exagerada pois vejo-os sempre a dormitar e com pouca vontade para aventuras. Mas pronto, é o dia deles, vivam os rafeiros!


Saudações monárquicas


Nota básica: Para escrever este texto inspirei-me no rafeiro que tenho lá em casa, sempre disponível para comer e dormir. Neste sentido qualquer semelhança com outros rafeiros é pura coincidência.

sábado, junho 10, 2017

Eleições inglesas!

Não há como os portugueses para tomarem as dores alheias! As suas, ou não as sentem ou disfarçam, mas as dos outros, meu Deus! Depois de chorarem copiosamente o Brexit, como se Portugal tivesse abandonado a união, e a pouca sorte dos ingleses que assim se viam sozinhos no meio do oceano, voltaram ao divã do psiquiatra para criticarem o mau feitio de Teresa Maio, uma mulher perdida face aos resultados eleitorais que obteve! O psiquiatra aventou que tanta preocupação podia ser um reflexo condicionado, algum temor escondido e fez a prescrição habitual - pastilhas para o enjoo e muito exercício, muita natação porque o euro é uma aventura e a união europeia um Titanic que pode naufragar a qualquer momento.
E sobre a Inglaterra para não nos preocuparmos, que ela saiu por razões políticas e não económicas e quem assim abandona uma união está preparado para sofrer as consequências. E não volta atrás. E não volta porque a política da união não vai mudar. O soft ou o hard, isso ainda é conversa económica. São trocos.


Saudações monárquicas